Questão 55 — UNIFESP 2020
Primigesta, 30 semanas de idade gestacional, procura a maternidade referindo perda de líquido claro, em grande quantidade, há 4 horas. Nega intercorrências pré-natais. Nega dores. Refere boa movimentação fetal. Exame obstétrico: altura uterina de 25 cm, foco de 148 bpm, dinâmica uterina ausente. Exame especular: saída de líquido claro pelo orifício externo do colo. A melhor conduta é:
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Alternativa Correta: C.
O caso clínico apresenta uma gestante de 30 semanas com diagnóstico confirmado de Rotura Prematura Pré-Termo de Membranas Ovulares (RPMO pré-termo), evidenciado pela saída de líquido amniótico claro pelo orifício cervical externo ao exame especular, sem dinâmica uterina (contrações ausentes), sem sangramento e com vitalidade fetal preservada (FCF de 148 bpm e movimentação normal).
As diretrizes para o manejo da RPMO pré-termo (< 34 semanas) incluem:
1. Contraindicação ao Toque Vaginal: Na RPMO com dinâmica uterina ausente, o toque vaginal digital é formalmente proscrito. Múltiplos estudos comprovam que o toque vaginal introduz patógenos ascendentes no colo uterino, encurta o período de latência até o parto e multiplica o risco de corioamnionite clínica e endometrite puerperal. O diagnóstico de rotura e a avaliação da dilatação são feitos exclusivamente pelo exame especular estéril.
2. Conduta Conservadora / Expectante: Na faixa entre 24 e 34 semanas, na ausência de corioamnionite clínica, descolamento prematuro de placenta ou sofrimento fetal agudo, a conduta padrão é conservadora (internação e vigilância materno-fetal) para ganho ponderal e maturidade fetal.
3. Corticoterapia Antenatal: É mandatória entre 24 e 34 semanas (Betametasona 12 mg IM em 2 doses com intervalo de 24 horas) para promover a maturação pulmonar e reduzir o risco de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante.
4. Rastreio e Profilaxia Infecciosa: Colhe-se swab retovaginal para pesquisa de Streptococcus agalactiae (EGB) e inicia-se antibioticoterapia de latência (esquema clássico de Mercer: ampicilina intravenosa associada a eritromicina/azitromicina por 48 horas, seguida por amoxicilina oral por 5 dias).
5. Papel da Tocólise: A tocólise é contraindicada na RPMO de rotina. Se a paciente não tem contrações uterinas (dinâmica uterina ausente no enunciado), o uso de tocolítico não tem justificativa biológica e pode mascarar sinais precoces de infecção intra-amniótica.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): Prescrever tocolítico para uma paciente que não possui dinâmica uterina é inadequado e contrário às diretrizes obstétricas.
• Alternativa B (Incorreta): O toque vaginal não deve ser realizado de rotina e a tocólise não tem indicação com dinâmica ausente.
• Alternativa C (Correta): Síntese perfeita da conduta inicial preconizada: abstenção do toque digital, coleta de swab para EGB e início imediato de corticoterapia antenatal.
• Alternativa D (Incorreta): Realizar toque vaginal é erro de conduta que quebra a barreira asséptica e precipita infecções intra-amnióticas.
• Alternativa E (Incorreta): Induzir o parto (com ocitocina ou misoprostol) com 30 semanas sem corioamnionite contraria a conduta conservadora indicada para prematuros extremos.
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