Questão 56 — UNIFESP 2020
Qual é o melhor momento do parto na gravidez gemelar monoamniótica, monocoriônica diamniótica e dicoriônica, respectivamente?
Ver Resposta e Comentário
Alternativa Correta: C.
Na gestação múltipla, o planejamento do momento do parto é determinado fundamentalmente pela corionicidade e amnionicidade, equilibrando dois riscos concorrentes: as complicações da prematuridade iatrogênica contra o risco cumulativo de óbito fetal intrauterino súbito e complicações vasculares/funiculares:
1. Gravidez Gemelar Monocoriônica Monoamniótica (MCMA):
• Os dois fetos compartilham a mesma placenta e a mesma cavidade amniótica, havendo risco extremo (superior a 50%) de entrelaçamento e nó verdadeiro de cordões umbilicais, além de anastomoses vasculares não equilibradas.
• Recomenda-se a resolução da gestação por cesariana eletiva entre 32 e 34 semanas (com 34 semanas sendo o limite máximo tolerado na maioria dos consensos, após curso profilático de corticoterapia antenatal).
2. Gravidez Gemelar Monocoriônica Diamniótica (MCDA):
• Os fetos compartilham a mesma placenta (com vasos comunicantes que geram risco de síndrome de transfusão feto-fetal, restrição seletiva de crescimento e morte inexplicada de um dos conceptos), mas encontram-se em sacos amnióticos separados.
• O momento ideal programado para o parto situa-se tipicamente entre 36 semanas e 36 semanas e 6 dias (sendo 36 semanas o ponto de corte ideal que minimiza natimortalidade sem sobrecarregar morbidade neonatal grave).
3. Gravidez Gemelar Dicoriônica Diamniótica (DCDA):
• Cada feto possui sua própria placenta e seu próprio saco amniótico, não havendo conexões vasculares placentárias intergêmeos.
• Na ausência de complicações maternas ou fetais, o parto eletivo é programado entre 37 e 38 semanas completas (tipicamente com 38 semanas), momento a partir do qual a mortalidade fetal intraútero começa a superar a mortalidade neonatal por prematuridade.
Portanto, a sequência clássica e correta correspondente é 34, 36 e 38 semanas.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): Embora 32 semanas seja a faixa inferior aceita para MCMA, o trio clássico adotado em protocolos de referência fixa 34 semanas como meta de término com corticoterapia.
• Alternativa B (Incorreta): Fixa 37 semanas para MCDA e DCDA indistintamente, ignorando que monocoriônicos diamnióticos exigem parto mais precoce (36 semanas) em virtude das complicações placentárias vasculares compartilhadas.
• Alternativa C (Correta): Corresponde perfeitamente aos tempos recomendados: 34 semanas para monoamniótica, 36 semanas para monocoriônica diamniótica e 38 semanas para dicoriônica.
• Alternativas D e E (Incorretas): Propõem idades gestacionais excessivamente avançadas (≥ 37 a 40 semanas) que colocam fetos monocoriônicos e monoamnióticos em risco inaceitável de morte súbita intrauterina por anóxia, entrelaçamento e acidentes placentários.
Domine as provas de Residência.
Tenha acesso a milhares de questões focadas em Residência Médica e Revalida, simulados ilimitados e estatísticas de desempenho.
Ver Planos PROEstratégia Med
Buscando cursos em vídeo? Garanta 10% de desconto no Estratégia Med.