Questão 58 — UNIFESP 2020
Parturiente de risco habitual, 26 anos de idade, 38 semanas completas de gestação, em trabalho de parto espontâneo e sem bloqueio neuraxial. A frequência cardíaca fetal antes, durante e após as contrações uterinas é de 136 batimentos por minuto. Paciente encontra-se em período expulsivo há 4 (quatro) horas, a apresentação é cefálica em OP e plano +3 de DeLee. O diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada são, respectivamente:
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Alternativa Correta: A.
A questão descreve uma parturiente a termo (38 semanas) em trabalho de parto espontâneo sem analgesia de neuroeixo (bloqueio peridural), com vitalidade fetal normal e mantida (frequência cardíaca fetal de 136 bpm estável durante e após as contrações uterinas — Categoria I do NICHD). Contudo, a paciente está em período expulsivo há 4 horas, com o feto em apresentação cefálica fletida, variedade de posição occipito-púbica (OP) e em plano +3 de De Lee.
1. Definição de Período Expulsivo Prolongado (Distocia de Período Expulsivo):
• De acordo com os consensos da FIGO, ACOG e NICE, os limites fisiológicos máximos para o segundo estágio (período expulsivo) do trabalho de parto são:
• Nulíparas sem bloqueio neuraxial: até 2 horas (podendo estender-se a 3 horas se houver progresso documentado);
• Nulíparas com bloqueio neuraxial: até 3 horas (tolerando até 4 horas com progresso contínuo);
• Multíparas: 1 hora sem analgesia e 2 horas com analgesia.
• No caso em tela, a paciente não recebeu bloqueio neuraxial e já completou 4 horas de período expulsivo, configurando inequivocamente período expulsivo prolongado (parada de descida).
2. Afastamento de Desproporção Cefalopélvica (DCP) Absoluta:
• Na DCP absoluta, o polo cefálico fetal é incapaz de transpor o estreito superior ou médio da pelve materna, permanecendo em planos altos (planos negativos ou plano 0 de De Lee), frequentemente com acentuada sobreposição óssea (cavalgamento) e formação de bossa serossanguínea exuberante.
• O polo cefálico no plano +3 de De Lee já ultrapassou o estreito superior, o estreito médio (espinhas isquiáticas) e alcançou o assoalho pélvico no estreito inferior, o que descarta totalmente DCP absoluta.
3. Conduta Obstétrica Apropriada:
• As condições para parto vaginal operatório (instrumental) estão plenamente preenchidas:
• Dilatação cervical total (10 cm);
• Membranas ovulares rotas;
• Apresentação cefálica fletida baixa (+3 de De Lee, abaixo das espinhas isquiáticas);
• Variedade de posição direta conhecida (Occipito-Púbica — OP);
• Pelve materna adequada e bexiga vazia.
• Indicar cesariana nessa situação é contraproducente: retirar uma cabeça fetal profundamente insinuada e impactada no assoalho pélvico (+3 de De Lee) por histerotomia abdominal é tecnicamente desafiador, elevando expressivamente os riscos de laceração histerotômica para os vasos uterinos, hematomas do ligamento largo e asfixia fetal (síndrome da cabeça impactada). A resolução mais rápida e segura é o parto vaginal operatório (fórceps de alívio como Simpson-Braun ou vácuo-extrator).
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Correta): Corresponde rigorosamente ao diagnóstico clínico (período expulsivo prolongado) e à conduta preconizada (parto vaginal instrumental operatório).
• Alternativa B (Incorreta): Uma duração de 4 horas em paciente sem bloqueio ultrapassa em muito a normalidade, configurando inércia expulsiva e distocia de progressão.
• Alternativa C (Incorreta): A cesariana em plano +3 apresenta morbidade materna muito superior à do fórceps baixo, devendo ser evitada.
• Alternativas D e E (Incorretas): O feto no plano +3 de De Lee já insinuou e desceu quase completamente pela pelve, tornando conceitualmente incorreto o diagnóstico de desproporção cefalopélvica absoluta.
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