Questão 60 — UNIFESP 2020
Mulher, 35 anos de idade, apresenta sinusorragia. Exame especular: lesão vegetante, friável e sangrante no colo do útero com 3,5 cm de diâmetro. Toque retal: paramétrios livres. Biópsia: carcinoma espinocelular do colo do útero G2. Assinale a alternativa que contém o estadiamento e tratamento corretos:
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Alternativa Correta: C.
A questão avalia o estadiamento clínico e a conduta terapêutica no câncer de colo do útero (carcinoma espinocelular — CEC), considerando uma lesão tumoral macroscopicamente visível de 3,5 cm de diâmetro restrita ao colo uterino, com paramétrios livres ao toque retal em mulher jovem de 35 anos.
1. Estadiamento FIGO (Atualização de 2018):
• A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) atualizou o estadiamento do câncer cervical uterino em 2018, alterando as subdivisões do Estádio IB (lesão invasiva clinicamente visível confinada ao colo do útero):
• Estádio IB1: Lesão invasiva clinicamente visível com profundidade de invasão estromal ≥ 5 mm e maior dimensão ≤ 2,0 cm;
• Estádio IB2: Lesão clinicamente visível com maior dimensão > 2,0 cm e ≤ 4,0 cm;
• Estádio IB3: Lesão clinicamente visível com maior dimensão > 4,0 cm (antigo estádio IB2 da classificação pré-2018).
• Como a lesão descrita possui 3,5 cm e os paramétrios estão livres, trata-se inequivocamente do Estádio IB2.
2. Tratamento Padrão para o Estádio IB2 (FIGO 2018):
• Para tumores de estádio IB1 e IB2 (lesões restritas ao colo com ≤ 4,0 cm de diâmetro e paramétrios preservados), a principal modalidade terapêutica com intenção curativa é a Cirurgia Radical:
• Cirurgia de Wertheim-Meigs: Consiste na histerectomia total ampliada radical (tipo C de Querleu-Morrow / Piver III) associada à remoção dos paramétrios proximais, terço superior da vagina e linfadenectomia pélvica bilateral sistemática.
• A quimiorradioterapia definitiva concomitante (com cisplatina) é reservada preferencialmente para tumores volumosos (> 4,0 cm — estádios IB3, IIA2 em diante) ou com acometimento parametrial (≥ IIB), ou quando houver comorbidades clínicas que contraindiquem intervenção cirúrgica de grande porte.
• Após a cirurgia de Wertheim-Meigs, a peça cirúrgica é submetida a exame anatomopatológico minucioso para avaliar os critérios de Sedlis (risco intermediário) e de Peters (alto risco: linfonodos positivos, invasão parametrial ou margens cirúrgicas comprometidas), definindo a eventual necessidade de quimiorradioterapia adjuvante.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): O estádio IB1 na FIGO 2018 é restrito a lesões com até 2,0 cm no maior diâmetro; a lesão mede 3,5 cm.
• Alternativa B (Incorreta): Embora o estadiamento IB2 esteja correto, o tratamento curativo de primeira linha em pacientes com boa performance cirúrgica e lesão ≤ 4 cm é a cirurgia radical de Wertheim-Meigs, não a quimiorradioterapia primária.
• Alternativa C (Correta): Correlaciona perfeitamente o estadiamento FIGO 2018 (IB2 para tumor entre 2,0 e 4,0 cm) com o tratamento padrão (cirurgia de Wertheim-Meigs).
• Alternativa D (Incorreta): O estádio IB3 requer diâmetro tumoral maior que 4,0 cm.
• Alternativa E (Incorreta): O estadiamento IB3 está incorreto (a lesão tem 3,5 cm); além disso, tumores IB3 (> 4 cm) são tradicionalmente tratados com quimiorradioterapia concomitante, não com cirurgia isolada.
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