Questão 75 — UNIFESP 2020
Mãe traz seu primeiro filho em consulta na UBS com 7 dias de vida, em aleitamento materno exclusivo. Ela acha que a criança não está conseguindo sugar direito; toda vez que tenta, a “boca escorrega”. Há 2 dias tem notado as duas mamas inchadas e muito doloridas. Você faz a hipótese de ingurgitamento mamário. Além da orientação da técnica de amamentação, assinale a melhor conduta para esse caso.
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Alternativa Correta: D.
O quadro clínico retrata uma primípara no 7º dia pós-parto apresentando ingurgitamento mamário patológico bilateral associado a dificuldades na pega (o recém-nascido não consegue abocanhar a aréola porque a mama está demasiadamente tensa e edemaciada, fazendo com que a boca 'escorregue').
Fisiopatologia e Manejo Clínico Baseado em Evidências:
- Fisiopatologia: O ingurgitamento mamário decorre de retenção/estase de leite nos alvéolos mamários e canais lactíferos somada a congestão vascular e edema estromal linfático. A hiperdistensão tecidual aplaina e endurece a aréola, impossibilitando a formação do mamilo e a apreensão areolar profunda pelo bebê, perpetuando o ciclo de estase e dor.
- Pilares do Tratamento:
- Ordenha manual da aréola pré-mamada: A massagem delicada e a expressão manual de algumas gotas de leite da região areolar (técnica de amolecimento da aréola / manobra de Kotlow) diminuem a tensão periareolar, permitindo que a boca do lactente abocanhe profundamente a aréola e esvazie o seio adequadamente.
- Mamadas frequentes sob livre demanda: O esvaziamento efetivo da mama pela sucção do bebê é o mecanismo fisiológico essencial para drenar o leite acumulado e restabelecer o equilíbrio entre produção e ejeção.
- Crioterapia / Compressas Frias: A aplicação de compressas frias ou gelo envolto em toalha por 15 a 20 minutos após as mamadas induz vasoconstrição local benéfica, reduz o edema inflamatório perialveolar, atenua a dor e proporciona alívio sintomático substancial.
Justificativa dos Distratores:
- Alternativas A e B incorretas: A aplicação de calor local (compressas quentes, banhos mornos demorados) é terminantemente contraindicada no ingurgitamento instalado, pois a vasodilatação induzida aumenta a hiperemia vascular, atrai mais líquido para o interstício e intensifica o edema glandular, agravando o sofrimento da puérpera.
- Alternativa B incorreta: O ingurgitamento mamário é uma condição congestiva/inflamatória, e não infecciosa (mastite puerperal), não havendo qualquer papel para antibioticoterapia empírica. Horários fixos de amamentação (como de 3 em 3 horas) contrariam o princípio da livre demanda.
- Alternativa C incorreta: A ordenha para oferta exclusiva em copinho fragmenta a díade mãe-bebê e prejudica o estabelecimento do aleitamento quando a correção da pega após o amolecimento areolar é plenamente viável.
- Alternativa E incorreta: O diagnóstico do ingurgitamento mamário é eminentemente clínico. Galactagogos aumentariam ainda mais a síntese láctea, provocando piora catastrófica da distensão mamária.
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