Questão 79 — UNIFESP 2020
Menino, 8 anos de idade, vai à consulta pediátrica numa UBS. Ele é asmático e recebe beclometasona inalatória 100 mcg/dia como medicação de controle há 3 meses. A mãe refere que nas últimas 4 semanas seu filho tem tossido à noite 1 vez por semana e tem necessitado de broncodilatador de resgate 2 a 3 vezes por semana por apresentar tosse e chiado no peito. Qual a conduta a se tomar para esta criança, de acordo com as orientações do GINA 2018?
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Alternativa Correta: D.
O caso clínico avalia o controle da asma e a tomada de decisão terapêutica em um escolar de 8 anos (faixa etária de 6 a 11 anos) em uso de corticoide inalatório (CI) em baixa dose (dipropionato de beclometasona 100 mcg/dia, correspondente ao Step 2 da Global Initiative for Asthma - GINA).
Avaliação do Controle Clínico (Critérios GINA):
Na avaliação das últimas 4 semanas, consideram-se quatro parâmetros essenciais:
- Sintomas diurnos mais de 2 vezes por semana? (Sim: tosse e chiado 2 a 3 vezes/semana).
- Despertares noturnos decorrentes da asma? (Sim: tosse à noite 1 vez/semana).
- Necessidade de broncodilatador de alívio/resgate mais de 2 vezes por semana? (Sim: 2 a 3 vezes/semana).
- Limitação de atividades físicas diárias? (Não referida).
Com 2 a 3 parâmetros positivos, a asma é estratificada como parcialmente controlada.
Conduta e Regra de Ouro do Manejo da Asma:
- Verificação Pré-Escalonamento (Princípio Fundamental): Antes de promover qualquer aumento de dose ou associação medicamentosa (step-up), o médico deve obrigatoriamente investigar e intervir em três domínios críticos:
- Adesão real ao tratamento: Verificar se a família está realmente administrando a medicação diariamente.
- Técnica inalatória: Checar se a criança utiliza o dispositivo corretamente (com espaçador valvulado apropriado para a idade e técnica de inalação adequada). Falhas técnicas são a causa número um de ausência de controle.
- Comorbidades e exposições ambientais: Pesquisar e tratar rinite alérgica não controlada, sinusopatia crônica, refluxo gastroesofágico, além de exposição domiciliar a alérgenos e tabagismo passivo.
- Escalonamento Terapêutico (Step 3 para 6 a 11 anos): Caso a técnica, adesão e comorbidades tenham sido checadas e otimizadas e o paciente mantenha sintomas parciais, o passo terapêutico subsequente preconizado é dobrar a dose do corticoide inalatório para dose intermediária (beclometasona 200 mcg/dia) ou associar beta-2-agonista de longa duração (CI + LABA em baixa dose).
Justificativa dos Distratores:
- Alternativa A incorreta: A indicação de corticoide oral por 5 a 7 dias aplica-se exclusivamente a crises asmáticas agudas com queda de pico de fluxo e broncoespasmo moderado a grave, e não a consultas rotineiras de manutenção ambulatorial.
- Alternativa B incorreta: Salto abrupto para CI em dose alta (400 mcg) associado a LABA, antileucotrieno e xantinas representa polifarmácia excessiva; xantinas (teofilina) apresentam estreita faixa terapêutica e alto risco de toxicidade arritmogênica e neurológica em crianças.
- Alternativas C e E incorretas: Prescrever corticoide sistêmico oral contínuo diário é um erro iatrogênico grave, reservado unicamente a raríssimos pacientes refratários de Step 5 acompanhados em centros terciários, devido aos riscos severos de parada de crescimento linear, osteoporose e supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
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