Questão 18 — UNIFESP 2021
Mulher, 3G 1P normal anterior, 36 anos de idade, HBsAg positivo no início do pré-natal, HBeAg positivo, carga viral não disponível. Sobre a profilaxia da transmissão vertical, além da vacina e imunoglobulina para o recém-nascido, indica-se:
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Alternativa Correta: A.
A prevenção da transmissão vertical do vírus da hepatite B (HBV) baseia-se em uma estratégia combinada materno-fetal, estruturada em diretrizes do Ministério da Saúde, FEBRASGO, AASLD e OMS.
Estratificação de Risco e Terapia com Tenofovir:
A presença de HBeAg reagente é um biomarcador fidedigno de replicação viral ativa e alta infectividade, correlacionando-se com cargas virais de HBV tipicamente acima de 200.000 UI/mL (ou > 106 cópias/mL). Nessas gestantes de alto risco:
- A taxa de transmissão vertical chega a 70% a 90% na ausência de intervenções, e ainda permanece entre 10% e 30% mesmo quando o recém-nascido recebe a imunoprofilaxia neonatal completa;
- Por isso, está formalmente indicada a quimioprofilaxia materna com Tenofovir desoproxila (TDF 300 mg/dia, via oral) iniciada entre a 28ª e a 32ª semana de gestação (terceiro trimestre) e mantida até o parto (ou por 4 a 12 semanas pós-parto, com monitorização das enzimas hepáticas para detecção de eventual rebote inflamatório);
- O TDF apresenta excelente perfil de eficácia antiviral e segurança materno-fetal, com barreira genética elevada e ausência de toxicidade teratogênica documentada.
Via de Parto e Aleitamento Materno:
- Via de Parto: O parto cirúrgico cesáreo não oferece proteção adicional comprovada contra a transmissão vertical do HBV quando comparado ao parto vaginal, desde que a profilaxia combinada seja executada. A via de parto deve ser definida estritamente por indicação obstétrica;
- Aleitamento Materno: O aleitamento materno está liberado e encorajado. Embora antígenos virais e vestígios insignificantes de tenofovir possam ser detectados no colostro e no leite maduro, não há risco de transmissão pela amamentação desde que o neonato receba a imunoprofilaxia profilática imediata (vacina contra hepatite B e imunoglobulina hiperimune IGHB em sítios anatômicos diferentes nas primeiras 12 horas de vida).
Análise dos distratores:
- B e D. Uso de Interferon: O interferon (convencional ou peguilado) é categoricamente contraindicado na gestação devido aos seus efeitos antiproliferativos celulares, potencial teratogênico e toxicidade fetal que aumenta expressivamente o risco de abortamento espontâneo. Além disso, no item D, a indicação arbitrária de cesariana e a contraindicação ao aleitamento estão equivocadas.
- C. Contraindicação ao aleitamento: Como demonstrado, a presença de hepatite B materna (mesmo com viremia alta) não constitui justificativa para contraindicar a amamentação, contanto que a imunoprofilaxia neonatal nas primeiras 12 horas seja assegurada.
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