Questão 60 — UNIFESP 2021
Homem, 58 anos de idade, atendido no PS com suspeita de tromboembolismo pulmonar, tem indicação de realizar angiotomografia de tórax. Relata que tem “alergia a iodo”. Diante do exposto, qual é a melhor conduta para o caso?
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Alternativa Correta: D.
O cenário clínico traz uma suspeita de Tromboembolismo Pulmonar (TEP) em ambiente de pronto-socorro diante do relato de "alergia a iodo", exigindo do médico discernimento sobre a imunofarmacologia dos contrastes e a relação risco-benefício em emergências:
- Conceito de "Alergia a Iodo": O iodo é um oligoelemento essencial ao organismo e não atua como hapteno nem gera respostas mediadas por anticorpos IgE. As reações adversas aos meios de contraste iodados (MCI) são reações de hipersensibilidade alérgica imediatas (reações anafilactoides ou pseudoalérgicas), predominantemente não mediadas por IgE, decorrentes da desgranulação direta de mastócitos e basófilos ou liberação de cininas.
- Gravidade do Cenário Clínico: O TEP é uma afecção de alta letalidade se não diagnosticado e tratado prontamente. A angiotomografia de tórax com contraste iodado é o exame confirmatório padrão-ouro. A tomografia sem contraste não visualiza a árvore arterial pulmonar e não serve para afastar TEP. Cancelar o procedimento expõe o paciente a risco imediato de morte cardiovascular.
- Diretrizes do Colégio Americano de Radiologia (ACR) e Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR):
- Para pacientes com histórico de reações prévias leves (ex.: rubor, náuseas transitórias, urticária limitada pouca extensa ou prurido discreto), o risco de ocorrência de reação grave em um exame subsequente com contraste moderno de baixa osmolalidade é mínimo.
- Revisões sistemáticas e consensos atuais (incluindo declarações conjuntas ACR/AAAAI e do CBR) estabeleceram que os esquemas clássicos de pré-medicação com corticosteroides e anti-histamínicos não demonstraram capacidade de prevenir anafilaxias graves ou desfechos fatais, servindo apenas para reduzir sintomas cutâneos menores.
- Em situações de emergência médica ou suspeita de TEP, o atraso exigido para regimes orais de pré-medicação (que demandam de 12 a 13 horas para que haja síntese proteica induzida por corticoide) associa-se a um aumento inaceitável da morbimortalidade pelo atraso diagnóstico do TEP.
- Portanto, na presença de história de reação leve prévia, a recomendação atual é realizar a angiotomografia sem pré-medicação (trocando, quando viável, a marca ou molécula do agente iodado por outro contraste não iônico), mantendo a equipe preparada e fármacos de reanimação (adrenalina intramuscular) prontamente acessíveis na sala de exame.
Análise dos distratores:
- A: Incorreta. A infusão de soro fisiológico a 0,9% é indicada na prevenção de lesão renal aguda induzida por contraste (nefropatia por contraste) em pacientes com disfunção renal prévia, não tendo papel protetor contra reações de hipersensibilidade alérgica.
- B: Incorreta. Suspender a angiotomografia priva o paciente do diagnóstico de uma patologia potencialmente letal, sendo que o risco de reação anafilactóide grave em quem teve reação leve prévia é baixíssimo.
- C: Incorreta. A tomografia de tórax sem contraste opacificante não permite avaliar as artérias pulmonares nem identificar êmbolos intraluminais.
- D: Correta. É a conduta padronizada preconizada pelos consensos radiológicos e de medicina de emergência vigentes.
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