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UNIFESP 2021

Questão 61 — UNIFESP 2021

Pediatria Pneumologia Pediátrica Doenças Obstrutivas

Menino, 7 anos de idade, apresenta episódios recorrentes de tosse seca, chiado e falta de ar nos últimos 3 meses, com uso frequente de broncodilatador. Refere, ainda, falta de ar e chiado no peito ao correr ou subir escadas. Nega crises graves ou internação. Para o controle da asma deste paciente é indicado:

A Uso diário de corticoide inalatório em dose alta e broncodilatador de longa ação nas crises.
B Uso de corticoide inalatório em dose alta com broncodilatador de longa ação, diariamente e nas crises.
C Uso diário de antileucotrieno e broncodilatador de longa ação nas crises.
D Uso diário de corticoide inalatório em dose baixa e broncodilatador de curta ação nas crises.
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Resposta Correta D
Comentário

Alternativa Correta: D.

O caso clínico relata um paciente de 7 anos com sintomas respiratórios recorrentes (tosse seca, sibilância e dispneia) nos últimos 3 meses, uso frequente de broncodilatador de alívio e limitação para atividades físicas (sintomas ao correr ou subir escadas), sem histórico de exacerbações graves ou internações prévias. Esse quadro clínico caracteriza uma asma persistente não controlada em faixa etária escolar (6 a 11 anos).

De acordo com as diretrizes do GINA (Global Initiative for Asthma) e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) para a faixa etária de 6 a 11 anos:

  • Classificação e Etapa de Tratamento (Step 2): Para crianças que apresentam sintomas mais de duas vezes por mês ou despertares noturnos/sintomas com esforço, a terapia de controle de primeira linha preferencial (Etapa 2) consiste no uso diário regular de corticoide inalatório (CI) em dose baixa associado a um broncodilatador de curta ação (SABA) para uso de alívio/resgate nas crises. Essa conduta combate a inflamação eosinofílica subjacente das vias aéreas, previne o remodelamento brônquico e reduz drasticamente o risco de exacerbações agudas graves.
  • Opções alternativas: O uso de antagonistas dos receptores de leucotrienos (LTRA - montelucaste) é considerado opção de segunda escolha devido à menor eficácia anti-inflamatória em comparação ao corticoide inalatório.
  • Inadequação de doses altas e LABA isolado: Corticoides inalatórios em doses altas estão restritos às Etapas 4 e 5 (asma grave/refratária), apresentando risco desnecessário de supressão do eixo adrenal e déficit de crescimento. Além disso, broncodilatadores de longa ação (LABA) nunca devem ser utilizados como monoterapia de resgate em crises asmáticas na infância, pois não revertem o broncoespasmo agudo com a rapidez necessária e aumentam a hiper-responsividade brônquica.

Portanto, a conduta correta para o controle inicial da asma deste menino de 7 anos é o uso diário de corticoide inalatório em dose baixa e broncodilatador de curta ação nas crises.

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