Questão 13 — UNIFESP 2022
Criança, 9 meses de idade, sexo masculino, previamente saudável, é admitido no PS em bom estado geral, com história de choro intenso com períodos de acalmia sugestivos de dor abdominal em cólica e vômitos. Após algumas horas, apresentou distensão abdominal e evacuação com muco sanguinolento. Assinale a alternativa correta.
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Alternativa Correta: C.
O caso clínico retrata a tríade clássica da intussuscepção intestinal aguda (ou invaginação intestinal) em um lactente de 9 meses: dor abdominal paroxística em cólica com choro intenso e períodos intercalados de acalmia/sonolência, vômitos e fezes em "geleia de framboesa" (evacuação com muco sanguinolento decorrente de isquemia venosa da mucosa do segmento invaginado).
Papel da Ultrassonografia no Diagnóstico e Tratamento:
A ultrassonografia de abdome consolidou-se como o método de escolha diagnóstica e terapêutica na invaginação intestinal:
- No diagnóstico: Apresenta acurácia diagnóstica superior a 98-100%, identificando os sinais clássicos de sinal do alvo (ou rosquinha/donut sign) no corte transversal e sinal do pseudorrim (ou sanduíche) no corte longitudinal;
- No tratamento: A ultrassonografia é amplamente utilizada para guiar e monitorar em tempo real a redução hidrostática incruenta com enema de solução salina isotônica aquecida (técnica sob controle ecográfico em tempo real). Essa abordagem evita a exposição à radiação ionizante da fluoroscopia/enema baritado e permite visualizar com precisão o recuo do intussuscepto através da válvula ileocecal e o refluxo de líquido para as alças ileais, confirmando a desinvaginação com segurança.
Etiologia e Manejo:
Em lactentes entre 3 meses e 3 anos de idade (especialmente no pico entre 5 e 10 meses), mais de 90% dos casos de intussuscepção são idiopáticos, desencadeados por hipertrofia do tecido linfoide da submucosa ileal (placas de Peyer), comumente após infecções virais respiratórias ou gastrointestinais prévias (por adenovírus ou rotavírus). O segmento ileocólico é o padrão anatômico mais frequente.
O tratamento de primeira escolha na ausência de peritonite, choque ou evidência radiológica de perfuração é a redução não cirúrgica (incruenta), seja pneumática (guiada por fluoroscopia) ou hidrostática (guiada por ultrassonografia), com taxas de sucesso entre 80% e 95%. A cirurgia aberta ou laparoscópica (manobra de Hutchinson para desinvaginação manual ou ressecção) é reservada exclusivamente para falha de redução incruenta, peritonite/perfuração ou presença de ponto de partida anatômico suspeito (como divertículo de Meckel ou pólipos em crianças maiores).
Análise dos distratores:
- A. Solicitar colonoscopia de urgência: A colonoscopia não possui papel diagnóstico nem terapêutico na intussuscepção aguda em lactentes e impõe risco extremo de perfuração iatrogênica em uma parede intestinal edemaciada e isquemiada.
- B. A causa mais frequente é o divertículo de Meckel: Na faixa etária dos lactentes (menores de 2 anos), a causa primária é a hiperplasia linfoide idiopática das placas de Peyer (> 90%). O divertículo de Meckel é o ponto de partida (*lead point*) anatômico mais frequente apenas no subgrupo de crianças com mais de 2 a 3 anos ou em invaginações recidivantes.
- D. Há indicação cirúrgica imediata: A cirurgia não é a conduta primária obrigatória quando o paciente encontra-se em bom estado geral e sem peritonite ou perfuração; a indicação de primeira linha é a redução não operatória (hidrostática ou pneumática).
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