Questão 17 — UNIFESP 2022
No tratamento conservador das fraturas na osteogênese imperfeita, a imobilização por tempo prolongado pode causar
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Alternativa Correta: D.
A Osteogênese Imperfeita (OI), popularmente denominada "doença dos ossos de vidro", é uma desordem genética e hereditária do tecido conjuntivo causada na maioria dos casos por mutações autossômicas dominantes nos genes COL1A1 e COL1A2, que codificam as cadeias do colágeno tipo I. Essa alteração resulta em síntese quantitativa ou qualitativamente anômala de colágeno, acarretando acentuada fragilidade óssea esquelética, deformidades de ossos longos, dentinogênese imperfeita, perda auditiva e escleras azuladas.
Impacto da Imobilização Prolongada e Osteopenia por Desuso:
No manejo ortopédico das frequentes fraturas em pacientes portadores de osteogênese imperfeita, o repouso no leito e o uso prolongado de gessos ou talas imobilizadoras são contraindicados ou devem ser estritamente abreviados pelo seguinte fundamento biomecânico e fisiopatológico:
- Lei de Wolff e Remodelação Óssea: A densidade e a arquitetura óssea dependem diretamente do estresse e da carga mecânica gravitacional e muscular. A ausência de carga e o desuso muscular prolongado inibem a sinalização mecânica nos osteócitos, suprimindo a atividade osteoblástica formadora de matriz óssea;
- Reabsorção Osteoclástica Acelerada: Paralelamente, a imobilização estimula a reabsorção óssea mediada por osteoclastos, levando a uma perda vertiginosa e desproporcional de massa óssea mineral denominada osteopenia (ou osteoporose) por desuso;
- Ciclo Vicioso de Fraturas: Ao agravar a desmineralização e o adelgaçamento cortical em ossos que já apresentam osteopenia basal grave e colágeno defeituoso, a imobilização prolongada torna o esqueleto ainda mais frágil e quebradiço, facilitando novas fraturas com traumatismos banais e agravando as deformidades angulares com o retorno à marcha.
Por esses motivos, os princípios modernos do tratamento ortopédico na OI priorizam períodos de imobilização mínimos (apenas o tempo suficiente para alívio álgico e estabilidade inicial), mobilização precoce, reabilitação física ativa, emprego de medicamentos antirreabsortivos (como pamidronato ou ácido zoledrônico) e fixação cirúrgica com hastes intramedulares telescópicas autoexpansíveis (ex.: hastes de Fassier-Duval), que protegem o osso contra fraturas sem demandar imobilizações gessadas prolongadas.
Análise dos distratores:
- A. Formação de calo ósseo mais exuberante: A formação de calo ósseo exuberante (calo hiperplásico) na osteogênese imperfeita é uma complicação rara e atípica associada a mutações genéticas específicas (particularmente na OI tipo V por mutação no gene *IFITM5*) ou decorrente de micromovimentação mecânica persistente no foco de fratura, e não consequência biológica da imobilização rígida prolongada.
- B. Diminuição na frequência das fraturas: Pelo contrário, a imobilização prolongada acarreta acentuada desmineralização óssea por desuso, tornando as corticais ósseas ainda mais delgadas e porosas, o que aumenta exponencialmente a incidência e a frequência de novas fraturas.
- C. Menor desvio angular dos ossos longos: O adelgaçamento ósseo decorrente da osteopenia por desuso enfraquece a resistência mecânica do osso frente às forças musculares e de carga gravitacional, propiciando deformidades plásticas maiores e desvios angulares mais severos.
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