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UNIFESP 2022

Questão 26 — UNIFESP 2022

Ginecologia e Obstetrícia Uroginecologia e Distopias Incontinência e Disfunções do Assoalho Pélvico

Mulher, 35 anos de idade, IIG II Partos normais, refere perda urinária durante atividade física, ao praticar polichinelos. Exame físico: perda urinária à manobra de tosse em posição ortostática, classificação POP-Q = IIba e ponto Ba = 0. Qual é a conduta mais adequada?

A Correção cirúrgica com sling de polipropileno retropúbico.
B Correção cirúrgica com sling de polipropileno transobturador.
C Fisioterapia do assoalho pélvico com exercícios perineais.
D Uso de pessário vaginal modelo donut durante o exercício.
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Resposta Correta C
Comentário

Alternativa Correta: C.

A paciente de 35 anos, multípara (dois partos vaginais anteriores), apresenta Incontinência Urinária de Esforço (IUE), caracterizada pela perda involuntária de urina desencadeada por aumentos súbitos da pressão intra-abdominal (exercício de impacto como polichinelos), reproduzida objetivamente ao exame físico à manobra de tosse em ortostase.

Ao estadiamento do prolapso de órgãos pélvicos (sistema POP-Q), observa-se um prolapso de parede anterior (estágio IIba, com ponto Ba no nível do hímen: Ba = 0 cm). Esse grau de distopia leve a moderada frequentemente acompanha a hipermobilidade uretral pós-parto.

Diretrizes Terapêuticas para IUE (FEBRASGO, ACOG, EAU, ICI):

  • Primeira Linha (Conservadora): O tratamento inicial de escolha e padrão-ouro para toda paciente com incontinência urinária de esforço é o Treinamento dos Músculos do Assoalho Pélvico (TMAP / Fisioterapia do assoalho pélvico), realizado mediante exercícios perineais estruturados e supervisionados por fisioterapeuta especializado por no mínimo 8 a 12 semanas. Essa abordagem fortalece o suporte do complexo do elevador do ânus e o esfíncter estriado uretral, apresentando altas taxas de cura clínica e melhora sintomática, com morbidade nula e preservação de futuras opções terapêuticas.
  • Tratamento Cirúrgico (Slings de Uretra Média): A cirurgia com sling sintético de polipropileno (seja por via retropúbica ou transobturadora) é reservada para casos de insucesso ou refratariedade ao tratamento conservador bem conduzido, ou para pacientes com incontinência grave que recusam formalmente a reabilitação muscular.
  • Pessários Vaginais: Indicados principalmente em prolapsos graves sintomáticos (estágios III e IV), pacientes com comorbidades proibitivas para cirurgia ou gestantes, não constituindo a primeira escolha para IUE isolada em mulher jovem.

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