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UNIFESP 2022

Questão 28 — UNIFESP 2022

Ginecologia e Obstetrícia Patologia Benigna Ginecológica Útero e Colo

Mulher, 24 anos de idade, refere ciclos menstruais irregulares, com fluxo intenso com coágulos há 1 ano, e aumento da frequência urinária. Exame físico: abdome com massa de superfície bocelada, palpável 3 cm acima da sínfise púbica; toque vaginal: útero móvel, aumentado de volume, com superfície bocelada e anexos livres; especular sem alterações. Ressonância magnética: útero com volume 300 cc, presença de 2 nódulos uterinos (FIGO 1 em parede posterior, de 2,0 cm e FIGO 2-5 em parede anterior de 6 cm). A mais adequada conduta é

A histerectomia total abdominal.
B miomectomia histeroscópica e laparoscópica.
C histerectomia subtotal laparoscópica.
D prescrição de contraceptivos hormonal.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta B
Comentário

Alternativa Correta: B.

A paciente tem 24 anos (jovem, em idade fértil, nuligesta) e apresenta quadro exuberante de leiomiomatose uterina sintomática:

  • Sintomas: Sangramento uterino anormal volumoso com coágulos (menorragia decorrente do componente submucoso intracavitário) e sintomas compressivos do trato urinário (polaciúria decorrente da massa pélvica de 6 cm comprimindo a bexiga).
  • Achados de Imagem (RM): volume uterino aumentado (300 cm³; valor normal até 90-100 cm³) e dois miomas bem caracterizados pela classificação FIGO:
    • Nódulo FIGO 1 (parede posterior, 2,0 cm): mioma submucoso com extensão intramural inferior a 50%. Lesões submucosas FIGO 0, 1 e 2 são as principais geradoras de hemorragia e são tratadas preferencialmente por via endoscópica endouterina (miomectomia histeroscópica).
    • Nódulo FIGO 2-5 (parede anterior, 6,0 cm): mioma híbrido transmural que se estende do endométrio ao peritônio seroso, com predomínio intramural e grande volume. Lesões desse porte e topografia não podem ser ressecadas por histeroscopia com segurança, exigindo abordagem transperitoneal (miomectomia laparoscópica ou laparotômica).

Escolha da Abordagem Cirúrgica Conservadora:

Em mulheres jovens com prole não constituída, a preservação do útero e do potencial reprodutivo é princípio bioético e cirúrgico inegociável. Portanto, histerectomias total (A) ou subtotal (C) são formalmente contraindicadas como conduta primária. A prescrição isolada de contraceptivos hormonais (D) é ineficaz para controlar a distorção anatômica e os sintomas compressivos de um mioma de 6 cm. A combinação de miomectomia histeroscópica e laparoscópica trata com precisão ambos os nódulos em suas respectivas vias anatômicas de eleição, controlando o sangramento, aliviando a compressão urinária e preservando a fertilidade.

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