Questão 32 — UNIFESP 2022
Primigesta de 41 semanas, 28 anos de idade, relata diminuição da movimentação fetal. Pré-natal sem complicações, feto com crescimento e desenvolvimento normais. Exame físico: bom estado geral, sinais vitais normais, altura uterina 34 cm, BCF 140 bpm, dinâmica uterina ausente. Toque: apresentação cefálica, plano –2, colo pérvio para 2 cm, 40% de esvaecimento e bolsa íntegra. Perfil biofísico fetal de 8 com a seguinte cardiotocografia: Qual é a interpretação da cardiotocografia e a conduta?

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Alternativa Correta: D.
Análise visual da imagem: O traçado de cardiotocografia anteparto fornecido demonstra, no registro superior da frequência cardíaca fetal (FCF), linha de base estável em aproximadamente 140 bpm (normocárdica, faixa normal: 110-160 bpm) com variabilidade moderada preservada (amplitude entre 6 e 25 bpm). Ao longo dos 20 minutos de traçado, não se evidenciam acelerações transitórias (aumentos de >= 15 bpm com duração de >= 15 segundos) nem desacelerações patológicas. O registro inferior de tocografia externa é plano, comprovando ausência de contrações uterinas (dinâmica zerada).
Interpretação e conduta obstétrica:
1. Interpretação da cardiotocografia: Pela ausência de pelo menos 2 acelerações transitórias em 20 minutos de registro, o traçado é classificado como não reativo. Contudo, a ausência isolada de acelerações com variabilidade preservada pode representar tão somente um período de sono fetal fisiológico (ciclo sono-vigília que pode durar de 40 a 50 minutos). A conduta técnica inicial recomendada é prolongar o traçado por mais 20 a 30 minutos ou aplicar estímulo sonoro/vibroacústico para despertar o concepto.
2. Conduta clínica quanto à gestação: Trata-se de gestação em termo tardio com 41 semanas completas associada à queixa de redução de movimentos fetais, cenário de risco aumentado para senescência placentária, oligoidrâmnio e óbito fetal intrauterino. Há indicação formal de internação para resolução da gestação.
3. Avaliação cervical e escolha do método de indução: O exame de toque revela colo pérvio para 2 cm (1 pt), esvaecimento de 40% (1 pt) e apresentação fetal alta no plano -2 de DeLee (0 a 1 pt), resultando em um Índice de Bishop total menor ou igual a 6 (colo imaturo e desfavorável). Na presença de colo desfavorável, a administração direta de ocitocina é contraindicada por elevada taxa de falha de indução e taquissistolia. O método de escolha para o amadurecimento cervical é o preparo de colo com misoprostol (prostaglandina E1) por via vaginal ou preparo mecânico.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): O traçado não é estritamente 'tranquilizador/reativo' e a liberação de gestante de 41 semanas com redução de movimentos para retorno em 3 dias é inaceitável pelo risco de morte fetal.
• Alternativa B (Incorreta): O feto apresenta PBF de 8/10, variabilidade normal e ausência de desacelerações de sofrimento fetal agudo; portanto, não há indicação de cesariana de urgência.
• Alternativa C (Incorreta): O traçado não preenche critérios de reatividade (ausência de acelerações) e a ocitocina intravenosa direta não deve ser empregada em colos desfavoráveis (Bishop <= 6).
• Alternativa D (Correta): Define com precisão o traçado como não reativo, orienta a extensão propedêutica da monitorização para verificar o despertar fetal e indica adequadamente o preparo cervical com misoprostol para condução da indução do parto.
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