Questão 34 — UNIFESP 2022
Primigesta de termo encontra-se no período expulsivo há uma hora, a variedade de posição é OEA, no plano +3 de DeLee, quando é detectado líquido meconial +++/4. Cardiotocografia: desacelerações tardias em mais de 50% das contrações. Qual é a melhor conduta?
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Alternativa Correta: D.
O caso expõe uma emergência obstétrica intraparto caracterizada por sofrimento fetal agudo durante o período expulsivo: presença de líquido amniótico meconial espesso (meconial +++/4) e traçado de cardiotocografia intraparto de Categoria III com desacelerações tardias (DIP tipo II) recorrentes em mais de 50% das contrações uterinas. As desacelerações tardias decorrem de insuficiência vascular uteroplacentária aguda induzida pelo estresse pressórico das contrações, refletindo hipóxia tecidual e acidemia fetal progressiva.
Definição da conduta e via de parto resolutiva:
1. Urgência no parto: Diante de asfixia fetal intraparto no segundo estágio (período expulsivo), a resolução deve ser o mais rápida possível para impedir encefalopatia hipóxico-isquêmica ou óbito intraparto.
2. Avaliação das condições para parto instrumental (fórceps ou vácuo-extrator): O feto encontra-se com apresentação cefálica fletida, profundamente descida na bacia materna em plano +3 de DeLee (polo cefálico no assoalho pélvico, fórcipe de alívio/baixo), variedade de posição exatamente conhecida (OEA - Occipito-Esquerda-Anterior), colo com dilatação completa (período expulsivo) e membranas rotas com líquido meconial. Estão plenamente atendidos todos os critérios e condições de aplicabilidade para o parto vaginal assistido / operatória obstétrica instrumental.
3. Por que o fórceps/vácuo-extrator é superior à cesariana neste cenário? A realização de cesárea de emergência exigiria transporte até o centro cirúrgico, paramentação cirúrgica, anestesia e laparotomia, consumindo de 15 a 30 minutos adicionais de hipóxia para o feto. Além da perda de tempo precioso, a extração cefálica por via abdominal em apresentação profundamente encravada em plano +3 é tecnicamente difícil e altamente traumática para o concepto e para o segmento uterino materno (risco de lacerações angulares histerotômicas e hematomas retroperitoneais). O fórceps ou vácuo-extrator permite a extração cefálica segura em questão de 1 a 2 minutos.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): Aumentar a infusão de ocitocina e estimular esforços expulsivos prolongados potencializaria a hiperestimulação uterina, reduziria o fluxo de perfusão no espaço interviloso e agravaria a asfixia fetal aguda.
• Alternativa B (Incorreta): Aguardar passivamente a evolução espontânea diante de desacelerações tardias frequentes e meconio espesso constitui negligência obstétrica grave, sujeitando o conceito a sequelas neurológicas permanentes e óbito intraparto.
• Alternativa C (Incorreta): A via cirúrgica abdominal é desfavorável e retardada quando a apresentação fetal já atingiu o plano +3 de DeLee com dilatação total, cenário em que a extração instrumental baixa é mais rápida e segura.
• Alternativa D (Correta): Preenchidos todos os pré-requisitos de praticabilidade anatômica no plano +3, a realização imediata de parto instrumental por fórceps ou vácuo-extrator é a melhor e mais rápida intervenção para resgate fetal.
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