Questão 35 — UNIFESP 2022
Primigesta de 32 semanas procura a maternidade com queixa de dor no baixo ventre há 8 horas, sem queixas urinárias. Exame físico: AU = 30 cm, apresentação cefálica, foco 144 bpm, DU de 1 contração de 20” em 20 minutos; toque: colo uterino grosso, posterior e impérvio, com apresentação alta e móvel. Qual é a mais adequada conduta?
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Alternativa Correta: C.
O caso clínico coloca em discussão o diagnóstico diferencial entre falso trabalho de parto / contrações de Braxton-Hicks e a ameaça de trabalho de parto prematuro (TPP) em uma primigesta de 32 semanas.
Critérios diagnósticos e conduta no Trabalho de Parto Prematuro:
1. Critérios diagnósticos de TPP: Para o diagnóstico de verdadeiro trabalho de parto prematuro entre 20/22 e 36 semanas e 6 dias, as diretrizes do Ministério da Saúde e da FEBRASGO exigem a concomitância de: (a) dinâmica uterina regular e rítmica, definida como pelo menos 2 a 3 contrações em 10 minutos (ou 4 contrações em 20 a 30 minutos) dolorosas e mantidas; associada a (b) modificações dinâmicas da cérvice uterina, caracterizadas por apagamento cervical >= 50-80% e/ou dilatação cervical de pelo menos 2 a 3 cm, ou alteração cervical progressiva comprovada em exames seriados.
2. Avaliação dos achados clínicos: A paciente apresenta dinâmica uterina escassa e ineficaz (apenas 1 contração de curta duração, 20 segundos, a cada 20 minutos) e exame de toque vaginal completamente normal e estático (colo grosso, posterior, impérvio, com feto alto e móvel no estreito superior). Portanto, não existe diagnóstico de trabalho de parto prematuro estabelecido no momento.
3. Conduta clínica adequada: Diante de uma paciente sintomática (dor em baixo ventre há 8 horas) em idade gestacional prematura (32 semanas):
• Não se deve instituir medidas invasivas ou de internação para tocólise (nifedipina, atosiban) e corticoterapia profilática (betametasona) (Alternativas A e B), pois a tocólise apresenta riscos de efeitos colaterais e a corticoterapia não deve ser usada inadvertidamente na ausência de risco iminente de parto em 48 horas.
• Também não se deve dar alta hospitalar precipitada à paciente (Alternativa D), pois a dor contínua requer confirmação diagnóstica.
• A conduta indicada é manter a paciente em leito de observação clínica na maternidade por 1 a 2 horas (ampliar a observação), hidratando-a e realizando reavaliação periódica da dinâmica uterina e novo exame de toque vaginal por examinador experiente (ou medida ultrassonográfica do comprimento do colo uterino transvaginal). Se a dinâmica não evoluir e o colo permanecer inalterado, descarta-se TPP com segurança.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): Prescrever nifedipina e corticoide de rotina sem confirmação diagnóstica de TPP acarreta intervenções farmacológicas desnecessárias e potenciais riscos adversos materno-fetais.
• Alternativa B (Incorreta): O atosiban é tocolítico de alto custo sem indicação no caso, e a profilaxia antibiótica para estreptococo do grupo B ou antibióticos empíricos não devem ser iniciados com bolsa íntegra e sem trabalho de parto ativo.
• Alternativa C (Correta): Ampliar o período de observação e monitorar dinâmica e condições cervicais é a conduta propedêutica prudente e cientificamente embasada para confirmar ou afastar o diagnóstico de TPP.
• Alternativa D (Incorreta): A alta imediata com queixa de dor persistente de 8 horas é inadequada, e a progesterona micronizada oral/vaginal não possui papel terapêutico tocolítico agudo.
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