Questão 36 — UNIFESP 2022
Gestante, 42 anos de idade, 2G 1 parto normal há 20 anos, em seguimento pré-natal, traz a seguinte sorologia para sífilis:
■ Teste rápido para sífilis: reagente
■ Método Eletroquimioluminométrico com antígeno treponêmico (EQL): reagente
■ VDRL: não reagente
Nega diagnóstico e tratamento prévios para sífilis. Está assintomática. A hipótese diagnóstica e a conduta são, respectivamente:
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Alternativa Correta: B.
O caso clínico analisa a interpretação dos testes sorológicos para sífilis durante o pré-natal: a paciente apresenta dois testes treponêmicos reagentes (teste rápido e eletroquimioluminescência - EQL) e um teste não treponêmico não reagente (VDRL negativo). Ela é assintomática e nega qualquer diagnóstico ou tratamento documentado prévio para sífilis.
Classificação e manejo clínico da sífilis na gestação:
1. Interpretação imunológica: A positividade dos testes treponêmicos comprova contato e infecção pelo Treponema pallidum. O teste não treponêmico (VDRL) negativo pode ocorrer na fase inicial do cancro duro ou, muito mais comumente, nas fases de sífilis latente tardia, nas quais os títulos de anticorpos não treponêmicos declinam espontaneamente com o passar dos anos até tornarem-se indetectáveis, ao passo que os anticorpos treponêmicos persistem positivos por toda a vida (cicatriz imunológica).
2. Critério epidemiológico da duração: Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde (PCDT para Atenção Integral às Pessoas com IST e Nota Técnica sobre Transmissão Vertical da Sífilis):
• A sífilis latente só pode ser classificada como precoce (até 1 ano de evolução) se houver prova documental incontestável de infecção recente (por exemplo, exame negativo prévio há menos de 12 meses ou sintomas recentes documentados).
• Quando não for possível determinar com segurança a época do contágio (duração indeterminada ou desconhecida) e na ausência de sintomas, a sífilis deve ser obrigatoriamente classificada e tratada como Sífilis Latente Tardia (ou de duração indeterminada).
3. Conduta terapêutica mandatória: Na gestação, nunca se presume cura espontânea ou 'cicatriz sorológica' na ausência de histórico de tratamento completo e adequadamente documentado. O risco de transmissão transplacentária do treponema permanece real, com graves consequências fetais (abortamento espontâneo, óbito fetal, hidropisia e sífilis congênita precoce ou tardia).
4. Esquema farmacológico: O tratamento preconizado para a sífilis latente tardia ou de duração ignorada é a Penicilina G Benzatina na dose total de 7.200.000 UI, administrada por via intramuscular profunda em 3 doses semanais sucessivas de 2.400.000 UI (1.200.000 UI em cada glúteo a cada 7 dias). O intervalo entre as aplicações não deve ultrapassar 9 a 14 dias para que o esquema não seja invalidado.
Análise detalhada das alternativas:
• Alternativa A (Incorreta): A classificação precoce exige documentação comprobatória de infecção recente (< 1 ano); tratar com dose única de 2.400.000 UI subtrata a paciente e não protege adequadamente o feto.
• Alternativa B (Correta): Define com rigor a hipótese de sífilis latente tardia e prescreve o tratamento padrão-ouro com penicilina benzatina 7.200.000 UI em três doses semanais.
• Alternativa C (Incorreta): Supor cicatriz sorológica e não tratar gestante sem registro de tratamento pregresso documentado constitui falha gravíssima que expõe o concepto à infecção congênita.
• Alternativa D (Incorreta): A sífilis secundária caracteriza-se por lesões cutâneo-mucosas exuberantes (roséolas, sifílides, condiloma plano) e VDRL invariavelmente reagente em títulos moderados a elevados.
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