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UNIFESP 2022

Questão 55 — UNIFESP 2022

Medicina Preventiva Bioética, Ética Médica e Legislação Início e Fim da Vida

Diante de um paciente ambulatorial com doença crônica, evolutiva e progressiva, com prognóstico de vida encurtado a meses ou ano, candidato, portanto, a cuidados paliativos, qual é a conduta mais adequada?

A Informar aos familiares sobre a situação e reforçar as esperanças do paciente.
B Chamar a equipe de apoio psicológico para comunicar a impossibilidade de tratamento.
C Fornecer respostas empáticas e providenciar conforto para o paciente e familiares.
D Dar alta do ambulatório e orientá-lo a procurar serviço de cuidados paliativos.
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Resposta Correta C
Comentário

Alternativa Correta: C.

Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os preceitos da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), os cuidados paliativos consistem na assistência promovida por equipe multiprofissional para a melhoria da qualidade de vida de pacientes e seus familiares que enfrentam problemas associados a doenças graves, crônicas e progressivas que ameaçam a vida.

Os pilares da atuação médica nesse cenário incluem:

  • Promoção ativa de conforto e alívio do sofrimento: Prevenção e alívio da dor e de outros sintomas físicos debilitantes (dispneia, náuseas, fadiga), além de suporte psicossocial e espiritual holístico.
  • Comunicação empática e acolhimento: A escuta atenta, o reconhecimento do sofrimento psíquico do doente e o suporte à família desde o diagnóstico da refratariedade até o processo de luto.

Refutação dos distratores:

  • A: A chamada "conspiração do silêncio" (revelar o prognóstico apenas à família e manter o paciente desinformado sob ilusão de cura) viola frontalmente a autonomia individual e o Código de Ética Médica, impedindo o planejamento de diretivas antecipadas de vontade e o fechamento de ciclos vitais.
  • B: Em cuidados paliativos, nunca se deve usar a expressão "não há mais nada a fazer" ou "impossibilidade de tratamento". Não há mais tratamentos modificadores fúteis ou curativos, mas há imensa gama de intervenções terapêuticas para o conforto. Ademais, o médico assistente não deve delegar ou terceirizar sua responsabilidade na comunicação de más notícias.
  • D: Dar alta hospitalar ou ambulatorial com base na terminalidade caracteriza abandono de paciente, contrariando o atributo essencial da longitudinalidade e da coordenação do cuidado.

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