Questão 56 — UNIFESP 2022
Em uma UBS, uma criança com 7 dias de vida é atendida e em seu relatório de alta da maternidade consta o seguinte: Mãe com VDRL na ocasião do parto com título de 1/8 e teste treponêmico reagente, tratada adequadamente para sífilis 45 dias antes do parto. O recémnascido, assintomático, tem título de VDRL 1/4, líquor sem alterações, hemograma normal e radiografia de ossos longos normal. Assinale a alternativa que contém ações de vigilância epidemiológica corretas para esse caso.
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Alternativa Correta: B.
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde:
1. Definição de Caso — Criança Exposta à Sífilis versus Sífilis Congênita:
- Tratamento materno adequado: A mãe foi tratada com penicilina benzatina na dosagem correta para o estágio clínico da infecção, finalizando o tratamento 45 dias antes do parto (o critério exige término pelo menos 30 dias antes do parto).
- Avaliação do recém-nascido: O bebê encontra-se assintomático ao exame físico minucioso; o título do teste não treponêmico (VDRL 1/4) no sangue periférico é inferior ao materno no momento do parto (VDRL materno 1/8) — não havendo o critério de VDRL neonatal maior ou igual a duas diluições acima do materno; líquor, hemograma e radiografias de ossos longos são completamente normais.
- Portanto, o recém-nascido NÃO preenche critérios de sífilis congênita confirmada. Trata-se de uma criança exposta à sífilis.
2. Conduta de Vigilância e Seguimento Laboratorial:
- Não se notifica a criança como caso de sífilis congênita.
- O acompanhamento clínico e sorológico na Atenção Primária é mandatório e deve ser realizado com testes não treponêmicos (VDRL) quantitativos com 1, 3, 6, 12 e 18 meses de vida, até a obtenção de dois testes consecutivos negativos. Espera-se declínio progressivo dos anticorpos maternos passivos até a negativação por volta dos 6 meses.
- Por que não usar testes treponêmicos no seguimento infantil? Os anticorpos treponêmicos maternos da classe IgG atravessam ativamente a placenta e persistem circulantes no lactente por até 18 meses, tornando os testes treponêmicos (TR, FTA-Abs, ELISA) inadequados e incapazes de diferenciar infecção ativa de imunidade passiva transferida pela mãe.
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