Questão 80 — UNIFESP 2022
Paciente com infarto agudo do miocárdio é atendido em PS de hospital que não dispõe de serviço de hemodinâmica. A conduta imediata mais adequada é
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Alternativa Correta: B.
No manejo do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST) em unidade de pronto atendimento sem serviço de hemodinâmica (sem laboratório de cateterismo para Intervenção Coronária Percutânea - ICP), a decisão sobre a estratégia de reperfusão miocárdica é guiada estritamente pelos tempos de atendimento estabelecidos pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA) e European Society of Cardiology (ESC):
- Estratégia Preferencial (ICP Primária): A intervenção coronária percutânea primária é superior à fibrinólise por obter taxas mais altas de fluxo TIMI 3, reduzir reinfarto precoce e eliminar o risco de hemorragia intracraniana associado aos trombolíticos. Consequentemente, a transferência imediata para centro com hemodinâmica é a conduta de primeira escolha desde que o tempo estimado entre o diagnóstico (ou primeiro contato médico) e a abertura da artéria culpada com o balão (tempo delta-ICP) seja de até 120 minutos.
- Se o tempo previsto até a ICP for superior a 120 minutos: A reperfusão química imediata torna-se prioritária. O paciente deve receber trombólise farmacológica na própria unidade de acolhimento (tempo porta-agulha ideal ≤ 10 minutos após o traçado de ECG diagnóstico), preferencialmente com agentes fibrino-específicos (tenecteplase ou alteplase).
- Estratégia Fármaco-Invasiva Pós-Fibrinólise: Todo paciente submetido à fibrinólise deve ser subsequentemente transferido de rotina para serviço com hemodinâmica:
- Falha de reperfusão química (persistência de dor torácica ou não redução de pelo menos 50% do supradesnivelamento de ST em 60 a 90 minutos): transferência em regime de emergência para ICP de resgate.
- Sucesso de reperfusão química: transferência para cineangiocoronariografia sistemática de rotina em uma janela ideal de 2 a 24 horas pós-trombolítico.
Análise dos distratores:
- Alternativa A incorreta: A avaliação inicial antes de trombolisar deve verificar se o paciente pode atingir a hemodinâmica em até 120 minutos. Ademais, na moderna estratégia fármaco-invasiva, a transferência para cateterismo é indicada para todos os pacientes trombolisados, e não exclusivamente nos casos sem sinais de reperfusão.
- Alternativa C incorreta: O cateterismo pós-fibrinólise deve ser realizado precocemente entre 2 e 24 horas; aguardar 48 horas eleva sobremaneira a ocorrência de reoclusão coronária e novo infarto miocárdico.
- Alternativa D incorreta: A estratégia de "ICP facilitada" (iniciar trombolítico farmacológico sistêmico na vigência de transporte imediato para angioplastia primária planejada) foi formalmente abandonada e contraindicada pelas diretrizes, pois ensaios clínicos demonstraram aumento dramático de complicações hemorrágicas graves sem qualquer benefício de desfecho cardiovascular.
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