Questão 26 — UNIFESP 2023
Mulher, 30 anos de idade, mora na rua, no centro da cidade de São Paulo. Durante a pandemia, perdeu o trabalho como manicure e passou a viver como trabalhadora do sexo. Atualmente, tem poucos clientes e, para comer todo dia, depende de doações. Esta situação de insegurança alimentar, frequente para outras mulheres no território, é vivenciada por ela com ansiedade, influenciando em seu consumo de álcool e outras drogas. Ela tem um companheiro com quem tem uma relação afetiva estável. Nesta semana, procurou a UBS devido a atraso menstrual e foi feito o diagnóstico de gestação. Para a equipe elaborar um Projeto Terapêutico Singular, qual é a alternativa mais adequada?
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Alternativa Correta: A.
O caso clínico retrata uma situação de alta vulnerabilidade e complexidade biopsicossocial: mulher jovem em situação de rua, profissional do sexo, com dependência química/uso prejudicial de álcool e outras drogas, insegurança alimentar severa e gravidez recém-diagnosticada. O instrumento preconizado pela Política Nacional de Humanização (PNH) e pela Atenção Básica para esses cenários é o Projeto Terapêutico Singular (PTS).
Conceito e Diretrizes do PTS: O PTS é uma estratégia de co-construção do cuidado que articula quatro etapas centrais: diagnóstico situacional multidimensional (aspectos biológicos, psicológicos e determinantes sociais), definição compartilhada de metas de curto, médio e longo prazo, divisão clara de responsabilidades entre equipe e paciente, e reavaliação periódica. No caso concreto, o projeto de cuidado individual pactua ações como pré-natal de acolhimento (possivelmente articulado com equipes de Consultório na Rua), estratégias de redução de danos para o uso de substâncias, inclusão em programas de segurança alimentar e assistência social (CRAS/CREAS) e planejamento conjunto com o companheiro.
Articulação Individual-Coletiva: O caso evidencia que a insegurança alimentar e a vulnerabilidade social não são privativas dessa paciente, mas afetam sistematicamente diversas outras mulheres no mesmo território. Dessa forma, a equipe de Saúde da Família e Atenção Primária deve transcender o atendimento clínico individual e conduzir ações coletivas de saúde, vigilância do território e articulação intersetorial.
Análise dos distratores: Definir macropolíticas públicas (B) é função de instâncias de governo. A conduta puramente prescritiva de 'estilo de vida e adesão' (C) desconsidera a autonomia e culpabiliza o indivíduo em extrema exclusão. Reduzir a intervenção a tratar patologias biomédicas isoladas (D) desfigura a integralidade e o propósito do PTS.
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