Questão 4 — UNIFESP 2023
Paciente com doença do refluxo gastroesofágico de longa data, assintomático após 5 anos de uso de omeprazol. A endoscopia digestiva alta atual mostra permanência de lesão esofágica compatível com esôfago de Barrett, com biópsias revelando ausência de displasia. Quando deve ser realizada a próxima endoscopia?
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Alternativa Correta: A.
O caso clínico aborda a vigilância endoscópica do esôfago de Barrett sem displasia (Non-Dysplastic Barrett’s Esophagus - NDBE) em um paciente com DRGE crônica assintomático sob IBP:
1. Definição e Risco de Malignização: O esôfago de Barrett é definido pela presença de metaplasia intestinal especializada (presença de células caliciformes) no epitélio colunar que reveste o esôfago distal, em substituição ao epitélio escamoso estratificado original, decorrente de agressão cloridropéptica crônica. Trata-se da principal lesão pré-maligna precursora do adenocarcinoma esofágico. Embora o risco anual de progressão para adenocarcinoma no Barrett sem displasia seja baixo (em torno de 0,2% a 0,5% ao ano), impõe-se vigilância endoscópica programada para detecção precoce de displasia e neoplasia inicial.
2. Protocolos de Vigilância Endoscópica: De acordo com as diretrizes das principais sociedades mundiais de gastroenterologia e endoscopia digestiva (American College of Gastroenterology - ACG, AGA, ASGE e SOBED):
- Barrett sem displasia: O rastreamento/vigilância endoscópica subsequente deve ser realizado em um intervalo de 3 a 5 anos (preferindo-se intervalos próximos a 3 anos para segmentos longos ≥ 3 cm e até 5 anos para segmentos curtos < 3 cm), utilizando biópsias nos 4 quadrantes a cada 2 cm (protocolo de Seattle).
- Barrett com displasia indefinida: Otimizar dose de IBP por 3 a 6 meses para tratar inflamação ativa e repetir a EDA em 6 meses.
- Barrett com displasia de baixo grau (confirmada por patologista experiente): Terapia de erradicação endoscópica (ablação por radiofrequência ou ressecção) ou vigilância endoscópica anual (a cada 12 meses).
- Barrett com displasia de alto grau: Erradicação endoscópica preferencial imediata.
3. Análise dos Distratores: O intervalo de 6 meses (B) ou 12 meses (C) configuraria sobreutilização desnecessária de exames invasivos com custos e riscos aumentados para casos sem displasia. A alternativa D é completamente incorreta porque o esôfago de Barrett frequentemente perde a sensibilidade álgica pelo epitélio colunar metaplásico e a evolução displásica/neoplásica é assintomática; portanto, a vigilância deve ser sistemática e protocolar, e não baseada no retorno de sintomas clínicos.
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