Questão 49 — UNIFESP 2023
Paciente com 33 semanas de gestação, quartigesta com 3 cesáreas anteriores, previamente assintomática, procura o pronto socorro queixando-se de sangramento vaginal moderado. Sabidamente, possui placenta de inserção baixa centro-total com sinais de acretismo em região ístmica uterina. Não apresenta dinâmica uterina, feto ativo. Ao exame especular, conteúdo sanguinolento residual, sem sangramento ativo. Qual é a conduta mais adequada?
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Alternativa Correta: B.
Gestante de 33 semanas, multípara com três cesáreas anteriores, apresentando associação de placenta prévia centro-total e acretismo placentário diagnosticado na região ístmica. Esta associação em pacientes com cicatrizes uterinas anteriores representa uma das condições de mais elevado risco de hemorragia obstétrica maciça periparto (espectro do acretismo placentário — PAS).
A paciente comparece com relato de sangramento genital prévio moderado, porém a avaliação clínica demonstra: sangramento cessado no momento (apenas conteúdo sanguinolento residual no exame especular), ausência de contratilidade uterina (sem dinâmica) e feto ativo com vitalidade preservada. Diante da estabilidade clínica materno-fetal concomitante à prematuridade extrema/moderada (33 semanas), preconiza-se a conduta conservadora hospitalar: internação para vigilância contínua rigorosa, realização de corticoterapia antenatal (betametasona) para indução da maturação pulmonar fetal e prevenção de complicações da prematuridade, além de planejamento logístico (reserva de hemocomponentes e equipe cirúrgica obstétrica multidisciplinar experiente). Mantida a estabilidade sem novos episódios hemorrágicos vultosos, o parto eletivo por cesariana (frequentemente associado a histerectomia programada) é agendado tardiamente (entre 34 e 36 semanas), conforme preconizam FIGO e ACOG.
A resolução obstétrica de urgência abdicando de corticoterapia (A) ou compulsória após 48 horas (C) reserva-se a cenários de hemorragia maciça contínua descontrolada, instabilidade hemodinâmica materna ou sofrimento fetal agudo. A liberação para controle domiciliar (D) é absolutamente contraindicada pela letalidade associada a episódios súbitos de sangramento catastrófico fora do ambiente hospitalar terciário.
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