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UNIFESP 2023

Questão 57 — UNIFESP 2023

Cirurgia Geral Cirurgia do Aparelho Digestivo Apêndice

Gestante de 10 semanas procura o pronto socorro queixando-se de dor abdominal há 2 dias, periumbilical com irradiação para região lombar e fossa ilíaca direita, associada à inapetência. Há 4 horas, iniciou quadro de febre (38oC), vômitos e parada de eliminação de gases e fezes. Nega alteração do hábito urinário, disúria ou polaciúria. Ao ultrassom, gestação tópica, feto vivo, sem sinais de descolamento ovular, presença de discreta quantidade de líquido livre em região anexial direita. Hemograma com 18.800 leucócitos, desvio até metamielócitos. O Hospital não dispõe de ressonância nuclear magnética e não é possível transferência hospitalar neste momento. Qual é a conduta recomendada?

A Tomografia computadorizada de abdome para elucidar diagnóstico.
B Antibioticoterapia intravenosa e reavaliação clínica após 24 horas.
C Analgesia plena, antiemético, enteroclisma e reavaliação após evacuação.
D Cirurgia de urgência, preferencialmente por via laparoscópica.
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Resposta Correta D
Comentário

Alternativa Correta: D.

A paciente apresenta quadro clínico-laboratorial típico de apendicite aguda evoluindo para abdome agudo inflamatório complicado/peritonite: dor abdominal iniciada em região periumbilical com migração para fossa ilíaca direita há 48 horas, anorexia, febre de 38°C, vômitos e parada de eliminação de fezes e gases (íleo adinâmico reativo), leucocitose expressiva (18.800/mm³) com desvio escalonado à esquerda até metamielócitos e líquido livre em fossa ilíaca/anexo direito à ultrassonografia.

A apendicite aguda é a causa não obstétrica mais comum de abdome agudo cirúrgico durante o ciclo gravídico-puerperal. A conduta definitiva é a intervenção cirúrgica de urgência (apendicectomia), pois a postergação terapêutica eleva dramaticamente as taxas de perfuração apendicular, peritonite purulenta difusa, sepse materna e óbito fetal. No primeiro trimestre de gestação (10 semanas), o útero gravídico ainda se restringe à pelve verdadeira, o que torna a videolaparoscopia a via de eleição (padrão-ouro segundo a SAGES e colégios cirúrgicos), propiciando menor trauma parietal, menos dor pós-operatória, visualização ampla da cavidade e menor risco de complicações materno-fetais.

Exames ionizantes como tomografia computadorizada devem ser evitados quando o quadro é claro e a ultrassonografia associada à clínica justifica a cirurgia; antibioticoterapia isolada em apendicite aguda na gestação cursa com taxas inaceitáveis de insucesso e recorrência grave; e o enteroclisma é proscrito pelo perigo iminente de rotura apendicular e peritonite fecal.

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