Questão 58 — UNIFESP 2023
Menino, 1 ano e 10 meses, comparece à consulta de puericultura e a mãe refere que ele não fala nenhuma palavra, mas entende ordens e aponta o que quer. Na consulta, permaneceu muito atento ao celular, interagindo pouco com o entorno e com as pessoas. Quando solicitado, removeu seus sapatos com ajuda, empilhou 3 potes, apontou algumas figuras de animais e objetos e chutou bola. Não emitiu palavras durante a consulta. No prontuário da criança constava crescimento e desenvolvimento adequados até 1 ano e 2 meses de idade, quando o atendimento foi interrompido devido à pandemia. Criança nascida a termo, sem referências de intercorrências no pré- natal e no parto. Testes de triagem neonatal normais. Qual é a conduta mais adequada?
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Alternativa Correta: D.
O caso descreve um menino de 1 ano e 10 meses (22 meses) apresentando atraso isolado na aquisição da linguagem expressiva (não emite palavras), porém com preservação de marcos fundamentais de compreensão verbal (entende ordens), comunicação não verbal e intenção comunicativa (aponta o que quer), além de desenvolvimento motor amplo, fino e adaptativo compatíveis com a idade (chutar bola, tirar sapatos com ajuda, empilhar blocos e identificar gravuras).
Na avaliação do atraso de linguagem na infância, duas etapas são prioritárias e mandatórias na atenção primária/puericultura:
- Avaliação audiológica formal: a integridade das vias auditivas deve ser comprovada objetivamente em toda criança com atraso ou alteração da fala, independentemente de triagem neonatal auditiva normal ao nascimento, pois perdas auditivas adquiridas, flutuantes ou progressivas (como as associadas a otites médias secretoras) podem comprometer criticamente a aquisição linguística.
- Investigação do ambiente psicossocial e rotina de estimulação: a história clínica destaca uso excessivo de telas (smartphone) e interrupção do acompanhamento durante o período pandêmico. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP) desaconselham formalmente a exposição a telas antes dos 2 anos de idade, fator amplamente associado ao isolamento sociointerativo e atraso no desenvolvimento da fala. É essencial orientar a redução imediata do tempo de tela, incentivar a leitura compartilhada e o brincar dialógico familiar antes de encaminhamentos especializados prematuros.
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