Questão 59 — UNIFESP 2023
Primigesta de 27 semanas é internada com o diagnóstico de rotura das membranas. Na internação recebeu ciclo de corticoide (betametasona) e foi pesquisada a presença de Estreptococo beta hemolítico: positivo. Exames laboratoriais: Hb 11,3; Ht 34%; leucograma 8700 sem desvio; PCR 4,3. Ultrassonografia: feto único em apresentação pélvica, placenta corporal anterior grau 0, ILA 5,6 cm (normal de 8 a 18 cm), peso estimado 950g (entre o percentil 10 e 50). No 3° dia de internação, paciente evolui com contrações uterinas ritmadas (3 em 10 minutos) e dolorosas. Qual é a melhor conduta?
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Alternativa Correta: A.
Trata-se de gestante com 27 semanas, antecedente de rotura prematura pré-termo de membranas (RPMO) com conduta expectante inicial e ciclo de corticoterapia concluído, que no 3º dia evolui com trabalho de parto prematuro ativo (3 contrações regulares e dolorosas em 10 minutos).
Os pilares da conduta frente a este cenário obstétrico incluem:
- Inibição do Trabalho de Parto (Tocólise): A tocólise é contraindicada na vigência de rotura de membranas associada a trabalho de parto ativo estabelecido, sobretudo após a conclusão do ciclo de corticoterapia (que já propiciou a maturação pulmonar fetal). Prolongar a gestação sob bolsa rota com tocolíticos apenas eleva o risco de corioamnionite, endometrite e sepse neonatal sem benefício adicional.
- Profilaxia para Estreptococo do Grupo B (EGB): Diante de pesquisa positiva para Streptococcus agalactiae, a antibioticoprofilaxia intraparto é formalmente mandatória, sendo a ampicilina intravenosa (dose de ataque de 2g EV seguida de 1g EV a cada 4 horas até o parto) o esquema padrão.
- Neuroproteção Fetal com Sulfato de Magnésio: Em partos prematuros iminentes com idade gestacional inferior a 32 semanas, o sulfato de magnésio é comprovadamente eficaz na redução substancial da incidência de paralisia cerebral e disfunção motora grossa na infância, administrado com dose de ataque de 4g EV.
- Via de Parto: Na apresentação pélvica de feto pré-termo extremo (27 semanas, 950g), a via de escolha é a cesariana. O polo cefálico do prematuro extremo é proporcionalmente maior que o tronco/pelve, gerando elevado risco de retenção da cabeça derradeira através de colo uterino incompletamente dilatado, além do perigo de compressão ou prolapso de cordão na apresentação pélvica sob oligoidrâmnio.
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