Questão 76 — UNIFESP 2023
Menino, 9 meses de idade, apresenta febre (39°C) e diarreia há 1 dia. A mãe refere 6 evacuações nas últimas 24 horas, com sangue, muco e pus nas fezes e nega problemas anteriores de saúde. Exame físico: paciente está choroso, toma água oferecida pela mãe com avidez e apresenta choro sem lágrimas. Qual é a conduta mais adequada?
Ver Resposta e Comentário
Alternativa Correta: D.
O quadro clínico exige a abordagem simultânea de dois pilares fundamentais do manejo das doenças diarreicas na infância: o estado de hidratação e o tratamento etiológico da disenteria bacteriana.
- Avaliação e conduta da desidratação (Plano B da OMS/Ministério da Saúde):
- O lactente apresenta sinais claros de desidratação moderada/clínica: está choroso/irritado, toma água oferecida com avidez (sede aumentada) e tem ausência de lágrimas (dois ou mais sinais do quadro clínico de desidratação);
- Não há sinais de desidratação grave ou choque circulatório (o paciente não está letárgico, comatoso ou incapaz de beber);
- A conduta indicada é o Plano B de Reidratação Oral, realizado na unidade de saúde sob supervisão profissional direta, administrando a Solução de Sais de Reidratação Oral (SRO) por via oral em pequenos volumes frequentes durante um período de 4 a 6 horas (dose estimada de 50 a 100 mL/kg), até o desaparecimento dos sinais de desidratação. Não há indicação de hidratação parenteral por via endovenosa (Plano C).
- Abordagem da diarreia invasiva / disenteria:
- A presença de fezes frequentes contendo sangue, muco e pus associada a febre alta (39 °C) e comprometimento do estado geral define o quadro de disenteria invasiva, cujo principal agente etiológico bacteriano em pediatria é a Shigella spp. (seguida por Campylobacter jejuni e Salmonella não tífica);
- Pelas diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a disenteria com febre e toxemia tem indicação formal de antibioticoterapia imediata para reduzir o tempo de sintomas, prevenir complicações graves (como prolapso retal, megacólon tóxico e síndrome hemolítico-urêmica) e eliminar a excreção fecal do patógeno;
- Como o paciente aceita bem a via oral e não apresenta choque ou intolerância gástrica incoercível, a antibioticoterapia deve ser administrada pela via oral (o antimicrobiano de primeira escolha no Brasil e pela OMS é a ciprofloxacina oral por 3 dias, sendo a azitromicina oral uma alternativa aceita).
Dessa forma, a conduta integrada e mais adequada é a reidratação oral na unidade de saúde (Plano B) associada a antibiótico por via oral.
Análise dos distratores:
- Alternativas A e C incorretas: A hidratação parenteral (endovenosa) está restrita aos casos de desidratação grave com choque hipovolêmico ou alteração do nível de consciência (Plano C), ou na falha persistente da terapia de reidratação oral (vômitos incoercíveis refratários à gastroclise ou íleo paralítico), cenários não observados no paciente, que bebe avidamente. A via parenteral também não é mandatória para o antibiótico em paciente ambulatorial com via digestiva viável.
- Alternativa B incorreta: Probióticos podem apresentar benefício adjuvante discreto em diarreias virais autolimitadas (por rotavírus), mas não constituem o tratamento específico da disenteria bacteriana aguda febril por Shigella, a qual exige antibioticoterapia bactericida formal.
Domine as provas de Residência.
Tenha acesso a milhares de questões focadas em Residência Médica e Revalida, simulados ilimitados e estatísticas de desempenho.
Ver Planos PROEstratégia Med
Buscando cursos em vídeo? Garanta 10% de desconto no Estratégia Med.