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UNIFESP 2023

Questão 91 — UNIFESP 2023

Cirurgia Geral Otorrinolaringologia Faringe e Laringe

Mulher, 55 anos de idade, é atendida na sala de emergência com quadro de dispneia e cornagem. Após instalação de cateter de oxigênio a 5 litros por minuto a paciente apresenta melhora, porém permanece com o quadro de respiração ruidosa. Durante investigação verifica-se que a paciente esteve internada em UTI há um mês, necessitou de ventilação mecânica e foi submetida a intubação orotraqueal. Qual é a melhor conduta?

A Intubação orotraqueal.
B Broncoscopia.
C Traqueostomia.
D Cricotiroideostomia
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Resposta Correta B
Comentário

Alternativa Correta: B.

O caso clínico apresenta uma paciente com queixa de dispneia e cornagem (estridor respiratório) com antecedente de intubação orotraqueal prolongada em UTI há um mês. Esse quadro clínico é altamente sugestivo de estenose traqueal pós-intubação (ou subglótica), decorrente de isquemia da mucosa traqueal induzida pela pressão excessiva do balonete (cuff) do tubo endotraqueal, com subsequente cicatrização fibrosa concêntrica e estreitamento da luz da via aérea.

Como a paciente apresentou estabilização com cateter de oxigênio de baixo fluxo e não está em insuficiência respiratória iminente ("não intubo, não ventilo"), a melhor conduta imediata é a realização de broncoscopia (endoscopia respiratória flexível ou rígida). O exame permite confirmar o diagnóstico, precisar a localização anatômica, determinar a extensão longitudinal da estenose e a porcentagem de oclusão luminal, bem como avaliar a presença de processo inflamatório ou tecido de granulação ativo. Além disso, a broncoscopia pode ser terapêutica (dilatação com balão, passagem de molde ou desbridamento) e é indispensável para planejar a correção cirúrgica definitiva (ressecção do segmento estenosado com anastomose término-terminal).

A tentativa de intubação orotraqueal às cegas (A) pode converter uma obstrução parcial em obstrução total por sangramento ou edema, além do risco de falsa via ou rotura traqueal. A traqueostomia empírica (C) sem exame endoscópico prévio corre o risco de ser realizada sobre a própria estenose ou em anéis saudáveis essenciais para reconstrução cirúrgica futura. Por fim, a cricotireoidostomia (D) é manobra cirúrgica de extrema emergência em via aérea colapsada e lesiona a cartilagem cricóide, predispondo a estenose subglótica complexa.

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