USP SP 2026
Questão 46 — USP SP 2026
Mulher, 65 anos de idade, refere empachamento pós-prandial eventual. Nega epigastralgia, pirose, regurgitação, disfagia, dor torácica ou náuseas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com IMC de 32 kg/m²; abdome flácido e indolor. Foi submetida a endoscopia digestiva alta que identificou hérnia hiatal volumosa, com mucosa esofágica sem alterações e pangastrite enantematosa leve. Na sequência, realizou exame de radiografia contrastado do esôfago que confirmou hérnia hiatal tipo III. Foi iniciado tratamento com omeprazol e domperidona, com resolução do sintoma. Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para esta paciente.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta
D
Comentário
A paciente foi diagnosticada de forma incidental/oligossintomática com uma hérnia de hiato tipo III (hérnia mista: associação de hérnia por deslizamento e paraesofágica). Historicamente, advogava-se o tratamento cirúrgico universal para as hérnias paraesofágicas por conta do seu risco teórico de isquemia, estrangulamento e vólvulo. Contudo, as diretrizes contemporâneas alteraram este dogma. Estudos recentes comprovam que para indivíduos, sobretudo os mais idosos (como a paciente de 65 anos), que são assintomáticos ou cujos sintomas brandos respondem satisfatoriamente à medicação inicial, o risco letal e as complicações associadas a uma cirurgia abdominal profilática ultrapassam em muito a taxa de mortalidade relacionada à emergência herniária aguda. A conduta mais segura e aceita é praticar a observação clínica contínua (watchful waiting) e manter o seguimento em consultório, adotando a via cirúrgica somente quando e se surgirem indicações clínicas imperativas ou piora limitante.
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