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USP SP 2026

Questão 50 — USP SP 2026

Pediatria Medicina Legal e Ética Maus-tratos na Infância
Criança, sexo masculino, 1 mês de vida, previamente hígida, é trazida à unidade de emergência após cair do trocador, há cerca de 30 minutos. Segundo a mãe, ela havia tirado a mão dele por alguns segundos para jogar a fralda no lixo e ele teria rolado e caído do trocador. Na admissão, o paciente estava inconsciente, sendo levado à sala de emergência. A seguir, os dados da avaliação sistematizada: A: pérvia B: murmúrio vesicular e expansibilidade diminuídos, FR de 8 irpm, SpO2 de 89% em ar ambiente; C: tempo de enchimento capilar < 1 segundo, pulsos presentes e simétricos, ausculta com 2BRNF sem sopros, PA de 108×70 mmHg; D: escala de coma de Glasgow 7, pupilas isofotorreagentes; E: hematoma subgaleal em região temporal direita. Foi realizada tomografia de crânio, conforme imagem demonstrada a seguir: Após medidas de estabilização, o caso foi notificado ao serviço social. Com relação a essa decisão da equipe médica, pode-se afirmar:
A Foi indicada porque a tomografia não é compatível com o trauma reportado.
B Foi motivada pela presença de hematoma em localização incomum nos traumas pediátricos.
C É justificada porque o mecanismo de trauma é incompatível com a faixa etária.
D Não havia indicação, pois não há incongruências nas circunstâncias do trauma.
Ver Resposta e Comentário
Resposta Correta C
Comentário
No atendimento a lesões agudas na primeira infância, um dos mais imperativos e críticos pilares diagnósticos para rastreamento de Maus-Tratos na Infância (Síndrome do Bebê Sacudido ou trauma não-acidental) apoia-se em contrapor ativamente o mecanismo cinemático relatado pelos responsáveis às estritas e progressivas habilidades inerentes ao desenvolvimento motor na faixa etária em questão. Neste cenário, a mãe justificou o traumatismo violento indicando que o bebê de um mês recém-completo teria "rolado" ativamente de cima do mobiliário. Contudo, é sabido cientificamente que crianças típicas alcançam a maturação de motricidade grossa para conseguir rolar ativamente o próprio tronco unicamente ao redor dos 4 a 6 meses de vida cronológica. É, de conseguinte, categoricamente impossível o infante conceber o desastre da maneira reportada. Tal irresolúvel choque entre narrativa irreal e a devastadora gravidade da lesão encerra fortíssima margem de probabilidade a abuso domiciliar, conferindo a necessidade vinculante de intervir via serviço social e estatutos de proteção competentes.
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